Modelo de vida LI8863

Modelo de vida

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FORMATO 15 X 21 | 114 PÁGINAS
Cursei Modelo Fotográfico na minha adolescência no SENAC, localizado na Água Branca-SP em 1987. Lembro-me que tinha umas duzentas pessoas para quarenta vagas em dois turnos de vinte alunos; tínhamos que passar por uma avaliação: peso, medidas, fotogênico, pele etc. Graças a Deus, eu estava dentro. Eu só havia terminado o Ginásio e fui ao SENAC ver o curso de Decorador de Vitrine. As inscrições já haviam acabado, vi aquela fila de pessoas fazendo a matrícula e entrei e, era o curso de Modelo Fotográfico. Fiz a inscrição, passei em tudo e comecei o curso. Eu vinha de uma periferia e mal sabia o que ia encontrar no curso. Eu tinha muito preconceito, e, logo na primeira aula, o professor se apresentou: “eu sou Jônatas”, um cara alto, magro de barba e gay. E eu já fiquei ansioso.
Eu já havia passado um aperto antes, num curso de teatro no SESC Pompéia, pois era tímido e me deram um papel de macaco e tinha que encarar o leão que era um cara muito louco. Ele cheirava na época, e, naquela multidão, eu e ele no meio do palco, o cara incorporou um leão de verdade e me arranhou todo. Depois disso, nunca mais apareci no curso.
Agora era laboratório, na sala de aula, no curso de modelo; o uniforme era uma sunga branca e as meninas usavam maiôs, a coisa começou a piorar. No decorrer do curso, o professor começou a pedir selinho na boca dele no começo da aula. E agora?


MÁRCIO CÂMARA
Eu, Márcio A. Câmara, nasci em 13 de junho de 1968. Filho de imigrantes da Ilha da Madeira. Tive uma infância conturbada; meu pai era Manuel e a mãe Maria, parecia até um romance, mas foi uma tragédia. Passei por essa infância e, na adolescência veio a melhor fase da minha vida: andava de skate no Mirante de Jundiaí; surfava na espuma da praia branca em Bertioga; peguei as baladas dos anos 80; Broadway na Pompéia; a Zoom em Santana; o Piritubão em Pirituba, Latitude 2001, um barco na 23 de Maio; Madame Satã no Centro; o Califórnia Drink  em Santana e, muitas festinhas de garagem  com um som Punk. 
Peguei a época do concurso de Break no circo Dark, New Heavy, Rockabilly, Punk, Metal, e todo o som dos anos 80 — nacional e internacional — a Galeria do Rock no Centro, onde eu comprava meus discos de Vinil, época em que eu assisti Feliz Ano Velho, Woodstock, Sid e Nancy, The Doors, Pink floyd. Usávamos roupas de marca de surf, lembro-me da jaqueta emborrachada da marca “Fico” na avenida Sumaré e os tênis da Cannon, London Fog, Mad Rats... Tinha uma loja na Rua Cônego de Eugênio Leite em Pinheiros, a menina que atendia tinha um moicano, era Punk. Fase em que os Carecas do ABC batiam nos Dark e nos Heavy Metals, fase dos rachas de carros e pichação de muros. Digdi, Pulga e Goga.

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